Ainda que o general Costa e Silva tenha dito que as eleições municipais de 1965 foram

“uma experiência a caminho da democracia” e que “agora vamos ver se a Revolução pode confiar no povo” (O ESTADO DE S. PAULO, 1965a, p. 18),

medidas preventivas foram tomadas, com vistas a garantir a vitória do Brigadeiro Faria Lima na cidade de São Paulo. O deputado Afrânio de Oliveira, da UDN, afirmou que, “na verdade” (O ESTADO DE S. PAULO, 1965b, p. 4), a vitória do militar deveu-se à cassação dos direitos políticos de Jânio Quadros, então favorito para o pleito.

Um ano e cinco meses depois (31/08/1966), o prefeito Faria Lima nomearia entusiastas do regime, como José Figueiredo Ferraz e Antônio Delfim Neto, para o Grupo Executivo do Metrô. Durante quase dois anos de funcionamento, e sem produzir nenhum relatório, o grupo seria encerrado em meio à grande crise política de 1967-1968, no momento de fundação da Companhia do Metropolitano. Compreender esse momento de tensão política é fundamental para conhecermos a nova fase de militarização do Estado, que culmina no AI-5 em 1968. Ao longo do biênio, a “média burguesia industrial, certos representantes da grande propriedade fundiária e da agricultura de exportação, a classe operária, as camadas médias tradicionais [e] os setores mais avançados das baixas camadas médias” (SAES, 1985, p. 195) lutarão contra o regime militar. A Companhia do Metropolitano de São Paulo foi fundada em 24/04/1968, alguns dias após o massacre do restaurante estudantil Calabouço, na primeira grande crise política do regime militar. No discurso de inauguração da empresa, Faria Lima defendeu a obra, que “abriria importantes setores da nossa vida econômica”, inaugurando uma “nova fase para o progresso não só de São Paulo como do Brasil”. Seu discurso prossegue. Nas palavras do jornal O Estado de S. Paulo (1968, p. 19), o prefeito:

afirmou que São Paulo responde à juventude criando novas frentes de trabalho e abrindo novas perspectivas. Enalteceu o ex-presidente Castelo Branco, o sr. Roberto Campos e o prof. Otávio Bulhões pelo atendimento das reivindicações das Capitais dos Estados mediante promoção da reforma tributária que possibilitou recursos para a realização de obras de vulto.

As obras da primeira linha começaram em 14/12/1968, menos de oito meses depois, conforme ilustrado na Figura 1. A data escolhida pelo Brigadeiro Faria Lima para manipular uma retroescavadeira e dar início às obras foi milimetricamente orquestrada com o governo federal: um dia após a assinatura do Ato Institucional nº 5.

Figura 1: comemoração de início das obras do Metrô.
  Fonte: Centro de Memória do Metrô.